Nas minhas pesquisas encontro casas e jardins fantásticos e sinto imensa vontade de partilhar, em cada um deles para além de nos fazer sonhar podemos encontrar inspiração para algo. Em Malibu esta casa e jardim do Will Smith (ator que dispensa apresentações) é diferente, muito étnica, telúrica, com formas muito orgânicas, próxima da natureza, repleta de materiais naturais como a pedra, madeira, tudo feito artesanalmente, mais uma projeto ímpar do talentoso designer americano Stephen Samuelson. Foram muitos os artesãos que participaram na construção desta casa que Jada e Will Smith pretendiam fosse o refúgio da família e um encontro com a natureza.
A localização e a envolvente são extraordinárias, uma casa absolutamente integrada na paisagem e que com ela se confunde nos seus tons de terra.
Will Smith e a família na porta de casa
As formas orgânicas da casa e os seus tons de terra
Os materiais, as plantas as formas e as cores próximas da natureza
Toda a casa é aberta para o exterior, tirando partido da vista e da luz
É notável todo o trabalho das madeiras e todas as peças desenhadas em ferro
A aridez da envolvente á atenuada pela água dos lagos e da piscina naturalizada de enorme dimensão. A vegetação muito mediterrânica e bem adaptada ás condições desta zona, calor e secura extremas.
Pérgula em enormes traves de madeira rústica e banco construído com forma orgânica, os tons sempre os da terra..
A casa quase não se vê de tal forma os tons e formas se confundem na paisagem.
As plantas que existem no mercado à nossa disposição são muitas, por vezes o difícil é escolher, existem aquelas plantas de que gosto especialmente e que sei que resultam bem na maior parte dos casos, essas são as uso muitas vezes, já fiz publicações sobre algumas delas e hoje vou falar sobre um dos meus arbustos favoritos, o hibisco. Gosto especialmente dos Hibiscus rosa-sinensis que são de folha persistente, mas existem muitos outros.
São arbustos resistentes (apenas não gostam de muito frio quando da plantação), não precisam de muita água, têm uma floração exuberante, têm um aroma agradável. Gosto de os utilizar em sebe, em maciços, em vasos e floreiras e isolados. Gosto da forma e cor das flores, do aroma suave e adoro chá de hibisco.
O hibisco é indispensável em todos os meus projetos onde existe espaço para isso, se não tem um no seu jardim, está na hora de ter !Existem para todos os gostos, de flor cor-de-rosa, encarnada, amarela, salmão, branca, etc. Presenteiam-nos com flores desde o inicio da Primavera até ao Outono, resistem ao vento e ao ar do mar, também ficam lindos podados em grandes vasos.
Aqui ficam algumas imagens para se inspirar
Maciços de flor encarnada
Os meus favoritos de flor cor-de-rosa
Para todos os gostos
Para quem gosta de amarelo
Para quem gosta de azul
Resultam sempre bem em vaso
Até dentro de casa se dão bem
Em vaso, fica sempre bem em qualquer ambiente
Estes são lindos e são produção da Viplant
Para quem gosta de tom salmão, são muito originais
Para quem quiser saber mais sobre hibiscos :
Hibiscus rosa-sinensis
Familia: Malvaceae
Origem : Ásia e Havai (é
a flor nacional do Havai e da Malásia)
Nome vulgar: hibisco
Ciclo de vida – Arbusto
de folha persistente
Propagação – Estaca
Época de plantação – Qualquer
altura do ano
Floração – Primavera,
Verão, Outono
Cor –Encarnado, amarelo,
cor de laranja, salmão, cor de rosa
Altura – 2- 3 m
Distância de plantação
mínima – 0.8- 1.0 m
Condições de cultivo:
Sol, meia sombra, qualquer tipo de solo desde que rico em matéria orgânica e
bem drenado. Não tolera geada, suporta ar do mar.
Utilização: Sebe,
isolado, maciço, vaso ou floreira.
Manutenção – Necessita
de uma poda de limpeza anual no início do inverno( para retirar os ramos
velhos, mortos, secos, tortos, etc) e uma poda para estimular a floração no
final do inverno ou início da primavera. O hibisco floresce no ramo do ano,
aparece um novo rebento na primavera e semanas depois a flor. Necessita de pelo menos duas
adubações anuais, primavera e verão.
As alfazemas são sem dúvida uma das minhas plantas favoritas e que utilizo sempre nos projetos dos jardins que faço. Gostam de sol e calor, precisam de pouca água, são resistentes, aromáticas, fazem maciços extraordinários, quando em flor são as "rainhas do jardim". Gosto também de as utilizar em vasos e floreiras. Há muitas espécies, variedades e cultivares de alfazemas mas são todas do género Lavandula. Existe o rosmaninho que é uma alfazema e é espontâneo no nosso país. No meu terraço já tentei sem sucesso ter rosmaninhos, acabaram sempre por secar e morrer e não foi por falta de rega. Agora tenho uma Lavandula dentata quase há dois anos e está linda.
Quem resiste a um campo de alfazemas em França ?
Ou a uma plantação na Croácia ?
Mas não é preciso ter um campo delas para as poder apanhar em cestos ! as alfazemas dão muita flor..
Uma das utilizações que mais gosto para as alfazemas é a delimitar caminhos, o efeito é único. Esta é a Lavandula angustifolia hidcote, uma das minhas alfazemas preferidas e que existe no mercado nacional.
Adoro o contraste do verde com a cor da alfazema.
Não há nada que se compare com a floração e o aroma das alfazemas..são plantas indispensáveis em qualquer tipo de jardim !
Desde que o solo seja bem drenado e haja sol as alfazemas são sempre uma opção.
Em jardins rochosos, em taludes e muros é sempre uma excelente escolha.
Maciços de vários tipos de alfazemas fazem um efeito único, riscas cheias de cor, aroma e texturas diferentes !
Também se podem utilizar em vasos e floreiras ( principalmente a Lavandula dentata e a Lavandula angustifolia) o rosmaninho ( Lavandula stoechas da minha experiência tem muita dificuldade em adaptar-se em vaso. Gosta de estar em zonas, secas, rochosas e pouco regadas.
A minha alfazema (Lavandula dentata)
Alfazema hidcote em vaso, como é mais pequena resulta muito bem em pequenos vasos.
Lavandula dentata ( alfazema francesa)
Há muitas alfazemas diferentes apresento aqui as de que mais gosto e que facilmente se encontram no mercado nacional ( Na Viplant estão lindas ! principalmente a Hidcote
Lavandula angustifolia Hidcote
Lavandula angustifolia
Lavandula dentata
Lavandula pinnata
Lavandula stoechas ( o nosso rosmaninho)
Uma variedade blueberry que nunca vi em Portugal
Lavandula viridis a alfazema de flor branca, gosto muito de a misturar com a de flor cor de rosa, atenção que é uma planta que por vezes se adapta com alguma dificuldade.
A poda das alfazemas ! o segredo da sua longevidade e floração exuberante.
As alfazemas precisam de ser podadas pelo menos duas vezes ao ano para se manterei m saudáveis, bonitas e florirem em pleno. Segundo os ingleses deve ser feita uma poda a seguir à floração, em Agosto na segunda semana de cerca de 20 cm ( inicio de Agosto ( dia 8) , mês 8, deve podar-se 8 polegadas (+-20 cm). Para além desta poda dever ser feita outra no inicio da primavera para garantirmos que a planta não perde a forma e floresce em condições.
Devem ser retiradas todas as flores e hastes florais no final da floração.
Descobri esta imagem muito elucidativa (num site inglês), para evitar que as alfazemas sequem e fiquem feias a poda deve ser feita com esta forma.
Para quem quer saber mais um pouco sobre esta planta extraordinária:
Lavandula angustifolia
Lavandula dentata
Há muitas alfazemas diferentes e todas elas têm
mais ou menos as mesmas características e propriedades, gosto muito da Lavandula dentata ( mais alta de um verde mais escuro e de folha
dentada) Lavandula spica (mais pequena
de folhagem mais acinzentada). Gosto de misturar várias alfazemas diferentes.
Exposição solar – Sol pleno.
Solo – Solos pobres e bem drenados
Ciclo de vida – Perene
Época de floração – Maio - Novembro
Cor da floração – Roxo
Época de plantação – Primavera; Outono
Densidade de plantação no terreno – 4-5 plantas/m2. 20 cm de
distancia de plantação.
Floreira /vaso – Dá-se bem em vaso mas precisa de espaço para se
desenvolver e durar bastantes anos (30- 40 cm ø) são suficientes, num vaso deve colocar apenas uma planta.
Colheita –Podem-se colher em qualquer época do ano.
Manutenção – Não precisa de grandes cuidados de manutenção.
Necessidades em água - Necessita de regas regulares mas nunca em
excesso.
Propriedades –Todas
as suas partes são utilizadas, em saladas, sopas e molhos. Propriedades
digestivas.
Já tem alfazemas no seu jardim ? senão tem vá comprar e aproveite que este mês ainda estão em flor !
Até breve e obrigado por gostarem de jardins !
Teresa Chambel
Imagens via: Garden of Eaden, The Bruce Company, The Lavander, Ewa in the Garden, Lavender-Croatia, Teresa Chambel
As trepadeiras floridas para o verão foi o meu tema desta semana na Praça da Alegria, inspire-se e dê mais cor ao seu jardim !
As trepadeiras são excelentes opções para qualquer tipo, dimensão ou localização de jardim, pois há sempre uma ou mais que se adaptam a cada situação. Eu não consigo imaginar um jardim sem trepadeiras.
As trepadeiras são uma presença obrigatória num jardim de carácter mediterrânico ou romântico, são as plantas ideais para vestir as suas paredes e muros, adaptam-se as espaços grandes e pequenos e até varandas ou terraços. Basta escolher a trepadeira certa. As trepadeiras de que mais gosto são as floridas, com florações de primavera e verão, já falei aqui noutras publicações das glícinias e das buganvílias de que gosto muito, hoje vou falar de algumas trepadeiras com florações exuberantes nesta época do ano, todas elas gostam de muito sol.
Allamanda de flor amarela, inconfundível no verão
Mandevilla cor de rosa
Caramachão de falso jasmim ( Ricospermum jasminoides), floração e aroma único
Tecoma amarela..a cor do verão
O azul do Plumbago capensis ( bela-azul) é único..
O maracujá é das minhas trepadeiras favoritas, esta flor é extraordinária..e o fruto delicioso
O que são plantas trepadeiras ?
Para início do tema nada melhor do que perceber o que é uma trepadeira, embora possa parecer óbvio, não é, pois muitas daquelas plantas que nós achamos que são trepadeiras não são mais do que arbustos conduzidos como trepadeiras.
Trepadeiras “verdadeiras”
São aquelas plantas arbustivas que nas suas condições de origem precisam de trepar para alcançar a luz do sol, e que por isso são capazes de desenvolver técnicas para trepar e para se agarrar a outras plantas ou a estruturas de apoio, as técnicas podem ser várias:
Raízes adventícias aéreas, são raízes emitidas ao longo dos caules, o que lhes permite ter a capacidade de se fixarem às estruturas e apoio, essas raízes permitem-lhes absorver água e alimentos de qualquer superfície (ex: Hera)
Gavinhas, são prolongamentos dos caules (flexíveis) que se enrolam em qualquer lugar, garantindo a estabilidade da planta (ex: clematites, maracujá, ervilha de cheiro, kiwi, glicínia e madressilva)
Pequenas ventosas, nos caules da planta desenvolvem-se um sistema de pequenas ventosas que permitem que a planta se cole à parede (ex. vinha virgem)
Espinhos ou acúleos, são prolongamentos pontiagudos dos caules que permitem que a planta se proteja e também se fixe aos suportes (ex: roseira)
Arbustos conduzidos sob a forma de trepadeiras
Para além das chamadas trepadeiras verdadeiras temos arbustos que podem ser conduzidos sob a forma de trepadeiras, estes são geralmente arbustos que possuem caules lenhosos muito compridos e que quando apoiados crescem melhor, exemplos destas plantas (tecoma, thunbergia, allamanda, rincospermum,)
Cuidados básicos com as suas trepadeiras
Plantação das trepadeiras
Quando vai plantar as suas trepadeiras,, certifique-se que o solo fica bem drenado e fértil e mobilize-o até ficar descompactado e apresentar uma estrutura solta e ligeira, adicione também matéria orgânica para melhorar a estrutura do solo e adi«ubo, não se esqueça de adubar todos os anos no inicio da primavera e verão.
Quando escolher o local para as trepadeiras tenha em atenção que o ideal é planta-las no sentido do vento, ou seja quando o vento sopra ficam mais “agarradas” à parede ou á estrutura e não o contrário em que “voam como capachinhos ao vento.”
Quando se está a plantar junto a muros não se esqueça de deixar espaço para o desenvolvimento das raízes principalmente no caso dos arbustos que conduzimos em trepadeira (esta distancia deve ser de 30-40cm), não tenha a tentação de encostar completamente à parede.
Distância ou compasso de plantação
Plante os vários exemplares com pelo menos 1m de distância.
Condução das trepadeiras
Nunca esquecer que quando se vão plantar as trepadeiras junto de um muro ou estrutura de apoio deve primeiro colocar os suportes de apoio
Para obtermos o melhor resultado devemos ter o cuidado de conduzir as trepadeiras desde o início, encostando-as e prendendo-as às estruturas onde queremos que se agarrem.
Todos os anos temos de acompanhar a condução das trepadeiras.
Poda
Praticamente todas as trepadeiras necessitam de ser podadas, pela simples razão que queremos que elas estejam bem agarradas às suas estruturas de apoio e na maior parte das vezes estão localizadas em espaços confinados que não nos interessa que sejam invadidos pelas trepadeiras.
Em trepadeiras floridas devemos poda-las antes da floração para aguentarem o peso das flores e estimular a floração.
Apresento aqui algumas das minhas trepadeiras favoritas para esta época do ano, a colocar em zonas de sol e calor.
Allamanda sp
Família: Apocynaceae
Origem: Brasil
Nome vulgar: dedal-de-dama
Ciclo de vida: Perene
Propagação: Por estaca ou por semente
Época de plantação: Qualquer altura do ano
Época de Floração: Quase todo o ano com mais intensidade no Final do Verão e Outono
Cor de floração: branca, amarela
Altura: até 4-5 m
Distância de plantação mínima: 0.8 cm
Condições de cultivo: Pleno sol, solo fértil, rico em matéria orgânica. Necessita de regas regulares e de ser conduzida inicialmente.
Utilização: Trepadeira excelente para pérgulas, caramanchões.
Manutenção: Não precisa de cuidados de manutenção especiais, apenas uma poda de limpeza a seguir á floração.
Dipladenia sp (Mandevilla sp)
Família: Apocynaceae
Origem: Brasil
Nome vulgar: Dipladenia
Ciclo de vida: Arbusto/ trepadeira de folha persistente
Propagação: Estaca ou semente
Época de plantação: Qualquer época do ano
Época de Floração: Primavera e verão
Cor de floração: Encarnada, cor-de-rosa, branca, amarela
Altura: 3-4m
Distância de plantação mínima: 0.6-1 m
Condições de cultivo: Sol, meia sombra. Solo leve e bem drenado.
Manutenção: Quando da plantação deve adubar. Quando as hastes tiverem dimensão suficiente deve começar a conduzi-lo para onde deseja. Podar no inverno. Regar regularmente durante o período pós plantação.
Jasminum officinalis
Família: Oleaceae
Origem: China e Japão
Nome vulgar: Jasmim
Ciclo de vida: trepadeira de folha caduca
Propagação: Estaca
Época de plantação: Outono, primavera
Época de Floração: Primavera e verão
Cor de floração: branca – muito perfumada
Altura: 5-6 m
Distância de plantação mínima: 0.6-1 m
Condições de cultivo: Sol, meia sombra. Solo leve e bem drenado.
Manutenção: Quando da plantação deve adubar. Quando as hastes tiverem dimensão suficiente deve começar a conduzi-lo para onde deseja. Podar no inverno. Regar regularmente durante o período pós plantação.
Passiflora edulis
Família: Passifloraceae
Origem: América do Sul
Nome vulgar: Maracujá
Ciclo de vida: Arbusto/ trepadeira de folha persistente
Propagação: Estaca ou semente
Época de plantação: Qualquer época do ano
Época de Floração: Primavera e verão
Cor de floração: roxa
Altura: 3-4m
Distância de plantação mínima: 1-2 m
Condições de cultivo: Sol. Solo fértil e bem drenado.
Manutenção: Quando da plantação deve adubar. Adubar no final da primavera, podar a seguir à floração deixando apenas o ramo principal cortando os secundários para estimular a frutificação. Necessário ir sempre conduzindo.
Plumbago capensis
Familia -Plumbaginaceae
Origem – África do Sul
Nome vulgar- Plumbago, bela azul
Ciclo de vida – Arbusto/trepadeira de folha persistente
Época de plantação – Qualquer altura.
Altura – até 3- 4 m
Distância de plantação mínima – 0.8- 1 m
Condições de cultivo: Sol, meia sombra. Todo o tipo de solos mesmo os mais pobres. Não necessita de grande fertilização.
Manutenção: Muito pouca manutenção. Podar no final do inverno para controlar o crescimento e conduzir na direção que se pretender. Pode fertilizar na primavera com adubo orgânico.
Tecoma stans (Bignonia frutescens)
Familia:Bignoniaceae
Origem : América Central e do Sul
Nome vulgar: Bignonia
Ciclo de vida – Perene
Propagação –Por semente e estaca
Época de plantação – Todo o ano
Época de Floração –Verão e Outono
Cor de floração – Amarela
Altura – até 4 m
Distância de plantação mínima – 0.6 m
Condições de cultivo: Sol pleno, solos férteis com matéria orgânica. Tolera a geada.
Utilização: Trepadeira, pérgulas, muros, paredes, arbustiva, maciços ou isolada.
Manutenção: Rustica e resistente a pequenos períodos de seca convém ser regada nos meses mais quentes.
Já escolheu as suas trepadeiras ?
Até breve
Teresa Chambel A rubrica desta semana na Praça da Alegria foi sobre este tema veja o video !